Nessa seção vou
fazer um resumo da minha vida pessoal e musical. Nasci no
estado do Rio Grande do Sul, no dia 15 de abril de 1970, em
Sant’Ana do Livramento, na região da Campanha, cidade que faz
fronteira com Rivera, Uruguai, e juntas formam a nossa famosa
“Fronteira Seca”.
Meus pais, Leoncio e Theresinha tiveram quatro filhos: por
ordem cronológica, Laura, Luis Eduardo, Luisa Helena e eu, o
caçula da turma. Hoje tenho mais dois irmãos paternos, o Luiz
Telmo e o João Victor.
Moro desde 1994 em Porto Alegre aonde desenvolvo outras
atividades profissionais paralelas à música, como sócio de uma
empresa no ramo de tingimento e conserto de roupas e também
como responsável técnico de uma unidade de transbordo de malte
e cevada para a cervejaria AMBEV.
Bem, mas vamos adiante. Falando um pouco de mim.
A minha infância foi típica de um guri do interior daquela
época, muito futebol no pátio de casa e no colégio, o glorioso
“General Neto”, bicicleta na rua, enfim, aquelas algazarras
que se faz em cidades tranqüilas como era a Livramento da
década de 70.
Aos 7 anos passei minhas primeiras férias em campanha, foi na
Estância Novo São João, com meus primos Gustavo e Rafael, e os
pais deles, meus padrinhos David e Belinha (minha tia
materna). Daí começou o gosto pelas coisas do campo.
Chegávamos a contar os dias que faltavam para algum feriado ou
para as férias de verão, loucos pra carregar a caminhonete e
largar em direção ao “Sarandi”, nunca dispensando a
maravilhosa “galinha enfarofada” que ia de “fiambre”.
Fotos da Novo São João
Já por volta dos 11 ou 12 anos comecei a ter mais contato com
a música através do rádio, porque é claro que na hora do
amargo sempre tinha uma “galena” ligada na velha Rádio
Cultura, em alguma rádio de Rivera ou até nas Argentinas
quando estávamos em campanha. Tinha também os encontros com a
família da mãe, as tias e primas, quase sempre nos finais de
ano, com muito tango, bolero, muita música, afinal, todas
tocavam ou cantavam algo. Pronto, a música estava enraizada em
mim, e para facilitar um pouco, assistia aos ensaios semanais
do coral da mãe na sala de casa.
Em meados de 1984, aos 14 anos conheci a gurizada que formava
o “FOGÃO PIAZITO”, uma turma que se reunia para desfilar no 20
de Setembro, jogar truco, comer carne assada e cultivar as
coisas e os costumes do nosso estado. Lembro-me que fui levado
para lá pelas mãos do meu colega e amigo Rogério Avila, ali
estavam o Joaquim “Cabrera” Simões, nosso primeiro patrão, o
Renatão, e tantos outros que viveram aquela época. Ah, claro
que tinha a parte musical, declamação, trova, programas de
rádio, e noites e noites de violão e gaita. Logo criamos o
nosso “Regional” e saímos pelos galpões a cantar e declamar, e
esse era o meu setor, eu era o declamador, junto com o
Serginho “Boi-Manso” e ajudava o “Nego” Verniéldo a cantar
umas marcas, geralmente do Nelson Cardoso, do Gaúcho da
Fronteira ou do Adair de Freitas. Bah, já ia me esquecendo,
organizamos bailes também, 2 ou 3, não tenho bem certeza, no
Clube Comercial de Livramento, que coragem!!!
O tempo foi passando, e resolvi começar a freqüentar os
conservatórios que existiam na cidade, afinal, o medo do
público já tinha perdido. Volta e meia era “pealado” pela
diretora do colégio, Dona Zilá, para cantar o hino do General
Neto, com o pátio cheio, toda turma olhando, era complicado,
mas enfim..... Comecei a aprender violão, tocar algumas
músicas e a conhecer os músicos da cidade, fui também assistir
ao meu primeiro festival, a 5ª Tertúlia de Santa Maria.
Pronto! Decidi, vou fazer isso! Depois fui à Gauderiada de
Rosário do Sul e, nessa mesma época começaram a aparecer os
festivais da minha terra. Primeiro veio a Chasqueada da Poesia
Crioula e depois a Tropeada, festival de música. Em 1988 mudei
pela primeira vez para Porto Alegre, e fui direto conhecer o
famoso templo da música gaúcha, o Bar “Pulperia”. Já na
primeira noite que estava lá, o “Bugio”, meu amigo falou com o
dono da casa, o “Munhoz”, e disse que tinha um guri que tocava
e cantava. No final da noite fui convidado a subir ao palco
para tocar. Toquei três músicas, e logo surgiu o convite para
fazer parte do time de músicos da casa. Eu faria as aberturas
e os encerramentos das noites de quintas, sextas e sábados.
Tocaria umas milongas, coisa simples, 10 músicas em cada
quadro. O problema é que eu só sabia aquelas três, e já era
Sábado, a minha estréia era na Quinta-feira... Bom, sobrevivi,
dentro de pouco tempo estava tocando também no João de Barro,
outra casa noturna da época. E comecei a conhecer o pessoal
que fazia a noite na capital gaúcha, os grandes nomes da nossa
música passeavam pelos palcos e ambientes que eu freqüentava.
Aí soube que estavam abertas as inscrições para 2ª Penca,
festival amador de Livramento, e resolvi participar. Encontrei
com o Danúbio Vieira, fizemos duas músicas, e fomos ao palco.
Eu cantando, o Ricardo Martins na gaita de botão, o Luizinho
Lamb no violão e o Cláudio Carrara no violão solo. Ganhamos as
duas linhas, o Ricardo foi o melhor instrumentista, eu, o
melhor intérprete e o prêmio máximo do festival com a música
“Esses Gaúchos”, minha e do Danúbio.
Aí surgiu o convite para integrar o Grupo Andarilhos, conjunto
de baile muito conhecido na época e com um forte trabalho
vocal. Ficou pra trás a capital e voltei de mala e cuia, mas
com o compromisso de não abandonar os estudos. Passei no
vestibular em Bagé e voltava todos finais de semana para os
bailes. Lá conheci o Marcello Caminha e o Zulmar Benitez.
Tocamos juntos algumas vezes no bar da faculdade enquanto
continuava “tentando” passar alguma música em festival. Até
passava, mas normalmente não tínhamos êxito, principalmente
nos festivais fora de Livramento. Um dia o Zulmar me ligou e
convidou para cantar uma música dele em Cacequi, junto o
Leonel Gomes, o Lelé, como é conhecido, me convidou para
cantar outra. Fomos lá. Na volta, mais um troféu de melhor
intérprete. Estava começando a pegar gosto pela coisa, mas fui
estudar em Santa Maria, e as coisas para a música campeira na
época eram muito difíceis, o dinheiro não vinha, mas as
contas... Resolvi então dar uma parada para estudar, na época,
Agronomia, tirei as cordas do violão, para não correr riscos
desnecessários, e pronto! Eu era um ex-cantor famoso, que
nunca foi famoso. Quando ia a Livramento cantava no “Bar e
Noche”, só pela farra.
O tempo foi passando e mudei para Porto Alegre, tranquei a
faculdade e comecei vida nova, mas sempre longe da música.
Quando muito, num churrasco com os amigos, cantava duas ou
três “marcas”. Só que os amigos de infância continuavam
tocando, compondo e cantando. Aí bateu aquela saudade do palco
e da turma e decidi que iria retornar e retomar uma carreira
como cantor e compositor. Fiz alguns contatos, comecei a
ensaiar alguma coisa, voltei a estudar violão e noticiei para
todos que queria voltar a cantar. Logo estava na época do 3º
Martim Fierro não tive dúvida - liguei para o Carlinhos
Fernandes e para o Danúbio e pedi, olha que pretensão, um show
no festival, e eles me colocaram na única data que seria
possível, na abertura da noite final, no Domingo, para cantar
40 min. Estava de novo cantando nos festivais! Só que
precisava participar competindo e com muita assiduidade para
ser conhecido, então comecei a gravar, a inscrever músicas e a
participar. Decidimos gravar um CD para que todo mundo
soubesse que eu existia, assim teríamos um material de
apresentação. Surgiu, então, o projeto “Sentimentos”. Comecei
a fazer as trilhas, escolher repertório e definir arranjos.
Nessa época iniciei minha parceria com o Rogério Avila, e
surgiram, Romanceando, Copla Veranera e Do Tranquilo ao
Tajamar, essa última primeiro êxito que logramos, e considero
o marco inicial da minha nova carreira.
O tempo foi passando, novas músicas, novas parcerias e o
caminho foi começando a ser trilhado, um caminho muito longo
mas que já não parece tão impossível de trilhar.
Esse foi um apanhado da minha trajetória, um pouco da minha
vida particular e da minha carreira. Uma vida alicerçada na
família, respeitando os mais velhos, sempre rodeado de
amizades, e muita música.
Quero agradecer a todos que gostam e se identificam com o meu
trabalho, ao público em geral, aos profissionais da imprensa
que sempre abriram as portas para mim, aos empresários e
comissões de festivais e, principalmente, a Deus, pela chance
de conhecer tanta gente boa e de transmitir algo de bom para
as pessoas.